
73 anos de algumas neuroses e muito talento
Woody Allen é um hiperativo. Basta olhar qualquer retrato dele – e mesmo na condição imóvel do retrato ele passa uma aura inquieta. E assim o é. A profusão de filmes realizados em sua extensa cinematografia obriga qualquer fã corajoso que resolva colocar a lista de obras em dia, a separar uma fatia grande de seu tempo para fazê-lo.
O último deles é Vicky Cristina Barcelona (2008). A história de duas americanas que viajam à cidade espanhola atrás de respostas que a vida no país natal não oferecia. Vicky (Rebeca Hall) procura familiarizar-se com a cultura catalã para enriquecer sua tese de mestrado em algum campo da sociologia. Cristina (A sex symbol e queridinha de Allen, Scarlett Johansson) é movida por objetivos menos palpáveis, que transitam entre o amor e o sexo. Nessa busca, ambas se deparam com o pintor catalão Juan Antonio Gonzalo (Javier Barden). Homem de sensibilidade para as artes e casamento conflituoso e até violento com a ex-esposa María Elena (Uma atormentada Penélope Cruz).
É da relação desses quatro, sobretudo, que o filme trata. Ou da impossibilidade dessa relação, negada pelas limitações e vícios das personalidades de cada um. Claro que na trama de 96 minutos não faltam os clássicos diálogos extensos e de frases curtas e certeiras de Woody Allen. Como sempre, cada personagem principal é uma extensão da inquietação do cineasta nova-iorquino mais famoso do mundo.
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